Congressistas exploram ciência e tecnologia pelo viés do imaginário no CRI2i

Carlos Orellana discutiu a imaginação radical e o capitalismo cognitivo. Foto: Rennan Mager

Por Andriolli Costa

O GT de Imaginário, Mídia e Tecnologia, do II Congresso Internacional do CRI2i, congregou discussões que buscavam articular as teorias arquetipológicas do imaginário com objetos de pesquisa bastante contemporâneos. Essa dinâmica de tensionamento propiciou um espaço ideal para pensar ciência e tecnologia a partir de um local de fala diferenciado. Tais questões não foram discutidas apenas pelos fenômenos que se evidenciaram, mas pelos seus sentidos e consequências.

No primeiro dia do evento, em 29 de outubro, houve dois eixos principais: técnica e ciência. Carlos Orellana refletiu sobre os modos como a imaginação radical orienta o capitalismo financeiro em direção a um capitalismo cognitivo. Cláudio Cordovil apontou vestígios simbólico-míticos da Gênesis bíblica na biomedicina e na nova genética. Alexandre Assunção, por sua vez, buscou aproximar imaginário e tecnologia em um ensaio. Para tanto, retoma os gestos criadores, ao pensar que cada gesto implica uma matéria e uma técnica, suscitando um material imaginário e induzindo a criação de novos instrumentos técnicos.

Também na discussão da tecnologia, Andriolli Costa, que apresentou trabalho escrito junto com Francisco Santos, abordou o jornalismo produzido por robôs, evidenciando as imagens de um futuro pós-humanístico evocadas pelos artigos que comentam os feitos dos algoritmos noticiosos. Por fim, Denise Gomes reflete sobre os modos como o jornalismo, a partir da representação enviesada,constrói um imaginário social sobre doenças mentais.

Na pluralidade de objetos, os congressistas encontraram diálogo na heurística própria do imaginário. Foi o caso do último dia do GT, quando Cláudia Brandão e Gustavo Reginato, que apresentaram um trabalho unindo pesquisa, extensão e ação social para a perversão dos objetos tecnológicos na fotografia, compartilharam a mesa com Laura Souza e Rosângela Nitschke, que trataram do imaginário do parto domiciliar, e com Heloisa Juncklaus, que discutiu o parto como espetáculo nas filmagens de nascimento.

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