Mesas em português debatem a heurística do imaginário em seus próprios fundamentos

Iduina Mont’Alverne Braun Chaves toma a fala durante a exposição do trabalho O imaginário educacional como contributo às linguagens da educação. Foto: Rennan Mager.

Por Annelena Silva da Luz, Andriolli Costa e Renata Lohmann

Para otimizar o tempo e a participação dos congressistas, a programação das duas tardes do 2º Congresso Internacional do CRI2i optou pela divisão das apresentações entre duas mesas redondas apresentadas em português e duas em francês.

A primeira mesa em português, que ocorreu no dia 29 de outubro sob coordenação de Iduína Chaves, trouxe a temática A imaginação simbólica: mídia, culto e religiosidade. Marco Antônio Dib propôs outras possibilidades de aproximação da mitocrítica durandiana com as etapas e passos do mito de Joseph Campbell.

Gustavo de Castro relacionou as teorias do imaginário à literatura por meio da obra de Ítalo Calvino, articulando a imaginação como identificação com a alma do mundo. Por fim, o trabalho de Jorge Miklos versou sobre sua pesquisa que investiga a manifestação do sagrado nos objetos tecnológicos da vida moderna.

No dia seguinte, Castro assumiu a coordenação da mesa O paradigma da complexidade e a Teoria Geral do Imaginário. Nela, foi possível observar novamente a pluralidade de visões acerca da obra durandiana. Lúcia Maria Vaz Peres representou o grupo de professores que assinou o trabalho O imaginário educacional como contributo às linguagens da educação, em uma discussão que ultrapassou limites geográficos propondo que o pensamento durandiano deve ser fomentado desde o princípio da formalização escolar como algo que seja libertador do pensamento e da criatividade em si.

Para além disso, Alberto Filipe Araújo trouxe propostas mitodológicas fundamentais para as pesquisas do imaginário no campo da educação. Também neste campo, Monique silva e Vanessa Vasconcellos organizaram um estado da arte de pesquisas sobre imaginário junto ao banco de teses e dissertações da Capes. Artur Rozestraten, por sua vez, trouxe uma reflexão a partir do projeto Arquigrafia, abordando constelações de imagens fotográficas de arquitetura.

Um dos grandes debates da mesa se deu quando Maria Thereza Strôngoli defendeu uma tripartição dos regimes propostos na obra seminal de Durand, As Estruturas Antropológicas do Imaginário. Para ela, além de Diurno e Noturno, há ainda um regime crepuscular. A apresentação gerou bastante interação com o público, que tensionava os limites e possibilidades dessa ideia. O contraponto foi representado principalmente por Maria Cecília Sanchez, que esclareceu alguns aspectos centrais do pensamento de Durand que serviram como base para a criação dos regimes expostos por ele.

Tais discussões só mostram que, 50 anos depois, as Teorias do Imaginário estão mais vivas do que nunca, engajando pesquisadores jovens e experientes em embates que só fazem colaborar para a heurística própria de nossa área.

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