O imaginário em perspectiva debatido nas mesas em francês do II Congresso do CRI2i

Por Eduardo Portanova

Florence Dravet, da Universidade de Brasília, abriu as discussões das mesas em francês com “Comunicação e nonsense: estudo do giro da pombagira para uma comunicação feminina”. Trata-se de uma análise que leva em conta uma frente tripla: a força feminina da pombagira, as pessoas que a incorporam e as que a consultam. Tudo isso situado na noção de revolta do ato mesmo do giro, comparado a um paradigma dionisíaco. Essa possibilidade foi seguida por outra, desta vez pelo casal do Couto, Hildo e Elza, que giraram, estes, em torno da ecolinguística e da antropologia do imaginário. Com Vanessa Costa e Silva Schmitt, da UFRGS, foi examinada a ideologia do progresso no imaginário científico do século XIX baseada no doutor Pascal do romance de Zola e sua influência na subjetividade do contexto em que nos inserimos hoje.

A mesa-redonda 3, que se intitulou “Da representação tecnológica à fenomenologia do corpo”, discutiu temas focados do mito à utopia, passando por questões ligadas também à memória, ao poético e ao “maquínico”. Paolo Bellini, da Università degli Studi dell´Insubria, criou um neologismo para integrar, no mesmo universo reflexivo, o mito e a utopia, transformando-os em “mitopia”. Isso porque, segundo ele, “todas as formas de representação, tanto subjetivas quanto objetivas, podem se parecer ou ser idênticas”. Foi o que ele tentou mostrar, separando os dois termos para melhor reuni-los, posteriormente. Stanislas de Courville, não muito distante de Paolo, tratou de falar do mito do Shoah exibido em imagens cinematográficas. Buscou referencial na interpretação do professor da Universidade de Lyon, Mauro Carbone, quando se refere à tela como “um modelo ótico de nossa época”, e no plano de imanência que Gilles Deleuze vê no cinema. Daí parte sua ideia para uma abordagem da memória dos genocídios e dos crimes contra a humanidade.

O cinema, também, é o suporte para Eduardo Portanova Barros dialogar com uma perspectiva do imaginário de viés trágico-dionisíaco em Ruy Guerra. Cai por terra, segundo ele, uma autoria pautada pela identidade única e por um sentido político, no sentido oposto à leitura de Stanislas. O motivo, segundo ele, é que a imagem cinematográfica se tornou um veículo antes de fabulização do que politização. Nesse sentido, Gilles Hieronimus convoca-nos a pensar sobre uma nova escuta do logos poético, em “Os regimes polifônicos do imaginário”. O autor pretende, assim, criar uma “nova metodologia do imaginário verbo-icônico”, entre a leitura hermenêutica e a fenomenologia. Juliana Michelli Oliveira vem com Morin e seu primeiro número de seu hegelismo metodológico. Em “As máquinas de Morin: o vivo como modelo artificial”, a autora surfou nas ondas do artificialismo maquínico e sua relação com a Teoria da Complexidade entre a desordem, a liberdade e a criação.

Comments are closed.