Wunenburger aponta caminhos para a pesquisa sobre o imaginário no encerramento do II Congresso do CRI2i

“Nosso futuro será marcado pela guerra entre a tecnologia e o meio-ambiente”, afirmou o filósofo Jean-Jacques Wunenburger no último dia da programação científica do II Congresso Internacional do CRI2i. Wunenburger, que é professor na Universidade de Lyon III e diretor-geral do CRI2i proferiu a conferência de encerramento do congresso. Segundo ele, estamos numa importante cruzada entre a mitologia cíclica e a mística. É necessário, agora, compreender os mitos dominantes e os recessivos. De um lado, temos o ciborgue, o autômato, Dédalo e Golem, que absorvem a vida num ciclo repetitivo, num transhumanismo que vai explodir nos próximos cinco anos. Mas há também o mito místico da ecologia. A atenção das pesquisas se volta, então, sobre três grandes temas: a explosão tecnológica que, tendo sido preparada pelos imaginários, modifica a própria antropologia; o mundo cada vez mais urbanizado, tornando a cidade fonte de angústia e de insegurança; o imaginário político.

Wunenburger aponta, ainda, um desafio para a pesquisa sobre o imaginário: pensar a imaginação como faculdade de temporalização e não apenas de especialização. A sincronia vai, assim, ser articulada com a diacronia. Em socorro a essa necessidade, Wunenburger aponta a obra de Gilbert Durand, “Introduction à la mythodologie”, que fornece ferramentas para se trabalhar com a dinâmica da invariância na variação e vice-versa. Nesse, sentido, o filósofo alerta que muitas vezes os pesquisadores do imaginário são os piores inimigos da obra de Durand, que é densa, difícil. No entanto, muitas vezes, cede-se à tentação das simplificações reducionistas que submetem o pensamento durandiano a categorias unilaterais como, por exemplo, quando se afirma seu biologismo, ou quando se reduz a obra a uma dimensão afetiva, um efeito, talvez, da contaminação social do termo “imaginário”.  “A obra de Durand”, afirma Wunenburger, “não é uma doutrina; é, antes, uma caixa de ferramentas, mas não ferramentas técnicas ou lógicas”.

 

 

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