Colóquio na Romênia debate sobrevivências do sagrado na contemporaneidade

O sagrado na contemporaneidade foi discutido a partir de Mircea Eliade nos dias 30 e 31 de maio de 2016 na universidade de Craiova, Romênia, em evento organizado por Ionel Buse e Luiza Mitu. Pesquisadores do imaginário oriundos da França, Itália, México, Brasil e Romênia revisitaram a obra de Eliade, morto há 30 anos, a partir de novos ângulos de abordagem e de diversas áreas do conhecimento. Jean-Philippe Pierron, diretor da Université de Lyon 3, mostrou como Ricoeur se embasou no trabalho de Eliade para seu trabalho sobre o simbólico, apontando na noção de hierofania a grande dívida do pensador francês para com o historiador das religiões romeno. Jean-Jacques Wunenburger alertou para o perigo de se tomar a obra de Eliade como um dicionário de símbolos, esvaziando o simbólico ao objetivá-lo e retirando-lhe seu potencial libertador. Segundo o filósofo francês, vice-líder do grupo Imaginalis, somente a consciência simbólica nos diferencia do algoritmo, sendo uma libertadora consciência do mundo. Para ele, a dessacralização de nossos dias é flagrada na violência fundamentalista que superinterpreta a religião, dizendo que seus fiéis são porta-vozes da verdade, numa traição da gnose original que era espiritual e não temporal. Ana Taís Martins Portanova Barros, líder do grupo Imaginalis, falou sobre processos de sacralização e dessacralização na contemporaneidade que podem ser inferidos a partir das redes sociais. Debruçando-se sobre publicações de fotografias no Instagram, a pesquisadora brasileira apontou a nostalgia do sagrado em traços que indicam a permanência do terror da história nos dias atuais, ao mesmo tempo em que uma possível dessacralização espacial se anuncia na ausência de rastros de Axis mundi nas publicações estudadas. Ao final do colóquio, prestou-se homenagem a Jean-Jacques Wunenburger por sua obra que abriu e continua a abrir novas perspectivas de desdobramentos da teoria geral do imaginário.

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